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João Rafael

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sábado, 5 de setembro de 2009

Leia com atenção!! É extenso??!!!


O último dia de vida :)
:) :)
Naquela

manhã,
sentiu
vontade

de dormir
mais um
pouco.
Estava
cansado
porque
na noite
anterior
fora
deitar
muito
tarde.
Também
não havia
dormido bem.

Teve um sono agitado. Mas logo abandonou a idéia de ficar

um pouco mais na cama e se levantou, pensando na montanha
de coisas que precisava fazer na empresa.

Lavou o rosto e fez a barba correndo, automaticamente.
Não prestou atenção no rosto cansado nem nas olheiras
escuras, resultado das noites mal dormidas. Nem sequer
percebeu um aglomerado de pelos teimosos que escaparam
da lâmina de barbear. "A vida é uma seqüência de dias
vazios que precisamos preencher", pensou enquanto
jogava a roupa por cima do corpo.

Engoliu o café da manhã e saiu resmungando
baixinho um "bom dia", sem convicção. Desprezou
os lábios da esposa, que se ofereciam para um
beijo de despedida.

Não notou que os olhos dela ainda
guardavam a doçura de mulher apaixonada, mesmo

depois de tantos anos de casamento. Não entendia
por que ela se queixava tanto da ausência dele e
vivia reivindicando mais tempo para ficarem juntos.

Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de
vida da família, não estava? Isso não bastava? Claro
que não teve tempo para esquentar o carro nem sorrir
quando o cachorro, alegre, abanou o rabo. Deu a partid
a e acelerou.

Ligou o rádio, que tocava uma canção antiga do Roberto
Carlos, "detalhes tão pequenos de nós dois... "Pensou que
não tinha mais tempo para curtir detalhes tão pequenos
da vida.

Pegou o telefone celular e ligou para sua filha. Sorriu quando
soube que o netinho havia dado os primeiros passos.

Ficou sério quando a filha lembrou-o de que há tempos
ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar.
Ele relutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar
com o neto, mas não podia, naquele dia, dar-se ao luxo de
sair da empresa. Agradeceu o convite, mas respondeu que
seria impossível. Quem sabe no próximo final de semana?
Ela insistiu, disse que sentia muita saudade e que gostaria
de poder estar com ele na hora do almoço. Mas ele foi irre
dutível: realmente, era impossível.

Chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas. A agenda
estava totalmente lotada, e era muito importante começar logo
a atender seus compromissos, pois tinha plena convicção de
que pessoas de valor não desperdiçam seu tempo com conversa
fiada.

No que seria sua hora do almoço, pediu para a secretária trazer
um sanduíche e um refrigerante diet. O colesterol estava alto,
precisava fazer um check-up, mas isso ficaria para o mês
seguinte. Começou a comer enquanto lia alguns papéis que
usaria na reunião da tarde.

Nem observou que tipo de lanche estava mastigando.
Enquanto engolia relacionava os telefonemas que deveria
dar, sentiu um pouco de tontura, a vista embaçou.
Lembrou-se do médico advertindo-o, alguns dias antes,
quando tivera os mesmos sintomas, de que estava na hora
a de fazer um check-up. Mas ele logo concluiu que era um
mal-estar passageiro.

Terminado o "almoço", escovou os dentes e voltou à sua
mesa. "A vida continua", pensou. Mais papéis para ler,
mais decisões a tomar, mais compromissos a cumprir. Nem
tudo saía como ele queria. Começou a gritar com o gerente,
exigindo que este cumprisse o prometido. Afinal, ele estava
ia entender isso?

Saiu para a reunião já meio atrasado. Não esperou o elevador.
Desceu as escadas pulando de dois em dois degraus.
Parecia que a garagem estava a quilômetros de distância,
encravada no miolo da terra, e não no subsolo do prédio.

Entrou no carro, deu partida e, quando ia engatar a primeira
marcha, sentiu de novo o mal-estar. Agora havia uma dor
forte no peito. O ar começou a faltar... a dor foi aumentando...
o carro desapareceu... os outros carros também... Os pilares,
as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do teto, tudo
foi sumindo diante de seus olhos, ao mesmo tempo em que
surgiam cenas de um filme que ele conhecia bem. Era como
se o videocassete estivesse rodando em câmera lenta. Quadro
a quadro, ele via esposa, o netinho, a filha e, uma após outra,
todas as pessoas que mais
gostava.

Por que mesmo não tinha ido almoçar com a filha e o neto?
O que a esposa tinha dito à porta de casa quando ele estava
saindo, hoje de manhã? Por que não foi pescar com os amigos
no último feriado? A dor no peito persistia, mas agora outra
dor começava a perturbá-lo: a do arrependimento. Ele não
conseguia distinguir qual era a mais forte, a da coronária
entupida ou a de sua alma rasgando.

Escutou o barulho de alguma coisa quebrando dentro de seu
coração, e de seus olhos escorreram lágrimas silenciosas.
Queria viver, queria ter mais uma chance, queria voltar para

para casa e beijar a esposa, abraçar a filha, brincar com o neto...
queria... queria... mas não deu tempo.

Como está sua vida ? Qual o tempo que tem dedicado às coisas pequenas , mas importantes , da vida ? E Deus , em que lugar você o coloca ? Será que ...?

Lembre-se , são poucas as pessoas que tem uma segunda e "nova oportunidade" de vida para mudar e ... Pense nisso
:)

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